Um breve histórico dos 30 anos da web

No dia 13 de março de 1989, o físico britânico Timothy John Berners Lee, mais conhecido como Tim Berners-Lee, apresentou um artigo intitulado “Gerenciamento da Informação: uma proposta”. O referido trabalho continha as bases de um sistema de gerenciamento de documentos vinculados baseado na internet. O objetivo desse sistema era solucionar os problemas de indexação e acesso a dados e informações científicas da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN – Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire). Segundo Berners-Lee, a maior dificuldade que os cientistas do CERN enfrentavam naquela época era a fragmentação da informação em diferentes computadores e sistemas. Mais tarde, em 1991, Berners-Lee disponibilizou o primeiro site da história, intitulado “The Project” em que foram apresentadas as bases do hipertexto (combinação de texto não-linear e informação multimídia), que até hoje são a base da World Wide Web (WWW) ou, simplesmente, web.

Convém ressaltar que internet e web são coisas bem diferentes. A primeira é uma grande rede de dispositivos interconectados em escala mundial, trocando dados e informações por meio softwares e protocolos. A segunda é uma rede de documentos de hipertexto vinculados entre si, baseada na internet e acessível por meio de softwares navegadores. Em termos práticos, a web pode ser considerada um dos meios para acessar os dados que trafegam na internet.

Apesar de ser uma tecnologia revolucionária, Berners-Lee não quis patentear sua invenção, o que proporcionou o rápido crescimento da rede, atraindo profissionais, empresas e organizações governamentais em torno de uma iminente revolução. Esse crescimento fez com que surgissem os primeiros mecanismos de pesquisa, objetivando auxiliar os usuários a encontrar informações em um oceano digital que não parava de crescer. Um dos primeiros serviços foi o Yahoo (1994), que inicialmente criava seus índices manualmente por meio da navegação manual e intensiva pelos links dos sites descobertos. Ademais, seus criadores, os estudantes Jerry Yang e David Filo, ganhavam dinheiro por meio de anúncios, o que definiu o modelo padrão para monetização dos serviços de pesquisa da época. O Google, fruto de um trabalho de graduação de Sergey Brin e Larry Page, surgiu em 1998 e mudou totalmente o conceito de monetização em sites de busca. Brin e Page introduziram novos conceitos de indexação, além de dar vida aos anúncios contextualizados. Assim, o Google cresceu e se tornou uma das maiores organizações de tecnologia do mundo, oferecendo diversos serviços que vão além do seu mecanismo de pesquisa.

“As mudanças que a web causou na sociedade nos últimos 30 anos não são apenas positivas”

No fim dos anos 2000, apesar do crescimento e da empolgação em torno da web, várias empresas ditas “.com” faliram devido a uma forte especulação envolvendo o índice NASDAQ, episódio que ficou conhecido como “a bolha da internet” ou “a bolha das empresas .com”. Mesmo assim, a web seguiu o seu caminho de crescimento, dando mais poder aos usuários por meio de blogs, mídias sociais e outros serviços cujo foco era o usuário. Assim, a partir de 2004, o termo “Web 2.0” foi usado para definir essa mudança de paradigma. O extinto Orkut, blogs, Facebook e o Youtube são considerados os exemplos máximos da segunda geração da web.

Com o boom dos dispositivos móveis, a web cresceu ainda mais, criou oportunidades para todas as classes, ofereceu mais acesso a informação e mais serviços gratuitos, facilitando a vida das pessoas. Entretanto, em carta aberta publicada em 2 de março, Berners-Lee se mostrou um pouco decepcionado com a sua criação:  “[…]ao mesmo tempo em que a web foi criando oportunidades, dando voz aos grupos marginalizados e facilitando nossas vidas diárias, também criou oportunidades para golpistas, dando voz àqueles que espalham o ódio e tornando mais fácil a perpetração de todos os tipos de crime”.

De fato, as mudanças que a web causou na sociedade nos últimos 30 anos não são apenas positivas. Ainda há um longo caminho a percorrer, diante dos casos de mau uso, das novas tecnologias e, principalmente, das novas gerações de usuários. O paradoxo da web é que ela é capaz de nos libertar e nos prender com a mesma intensidade. O que podemos esperar dos próximos 30 anos?


Texto publicado originalmente no Jornal de Jales, coluna Fatecnologia, no dia 24/03/2019.

About Jorge Luís Gregório

Professor e entusiasta de tecnologia, estudioso da cultura NERD e fã de quadrinhos, animes e games. Mais um pai de menino, casado com a mulher mais linda da galáxia e cristão convicto. Gosto de ler ficção científica e discutir tecnologia, filmes, seriados, teologia, filosofia e política. Quer falar sobre esses e diversos outros assuntos? Venha comigo!

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