Conheça “The Messenger”, o sucessor espiritual do clássico Ninja Gaiden (#GameReview)

Ninja Gaiden (Tecmo) é uma das franquias de maior sucesso do NES (Nintendinho 8 bits). O primeiro título, lançado em 1988, além de um grande desafio, trouxe uma experiência bastante parecida com o primeiro título de outra franquia de sucesso: Shinobi (Sega). O segundo game da trilogia, Ninja Gaiden II: The Dark Sword of Chaos (1990), é considerado o melhor pelos fãs, pois, além de possuir uma trilha sonora memorável, o game é um excelente desafio. Já o terceiro título, Ninja Gaiden: The Ancient Ship of Doom (1991), possui um dos melhores gráficos da geração 8 bits, mas não possui uma dificuldade comparada aos dois anteriores, o que deixou muitos fãs decepcionados na época do seu lançamento.

De fato, Shinobi e Ninja Gaiden fizeram um enorme sucesso e inspiraram a criação de muitos games nas eras do 8, 16 e 32 bits. Shinobi teve apenas o primeiro título lançado pra o console de 8 bits da Sega, o icônico Master System. Já os outros dois foram lançados para o Mega Drive. Por sua vez, Ninja Gaiden consolidou sua trilogia no console de 8 bits da Nintendo, conquistando uma legião de fãs que sempre desejaram ver as aventuras do ninja Ryu Hayabusa nos consoles modernos. Apesar de em 2004 a franquia ter sido retomada no X-Box, o sucesso não pode ser comparado as versões clássicas.

Onda retrô

Nos dias atuais, com as diversas tecnologias e plataformas modernas, além dos diversos SDK (Software Development Kit) que permitem qualquer pessoa desenvolver um game, mesmo que simples, quase sempre nos deparamos com jogos que remetem ou homenageiam os clássicos do passado. No mundo indie (games independentes), isso tem sido muito comum. Basta olhar para Cup Head, Horizon Chase e tantos outros. Assim, a franquia Ninja Gaiden foi devidamente homenageada pelo retrogame The Messenger.

Desenvolvido pela Sabotage Studio e lançado em 30 de agosto de 2018, tanto para PC (Steam) e para Nintendo Switch, The Messenger é um game de ação/aventura 2D que incorpora a simplicidade e o desafio da clássica franquia Ninja Gaiden, mas com identidade própria, resgatando o charme já esquecido dos games do gênero plataforma.

Esse cenário remete a Ninja Gaiden. Sim ou claro?

Roteiro

Longe de ter uma história inovadora, The Messenger possui um roteiro um tanto clichê, porém divertido. Em uma ilha distante, os poucos sobreviventes da humanidade vivem presos sem poder sair. Eles dedicam todo o seu tempo treinando artes marciais, se preparando para o dia em que os demônios chefiados pelo Rei Demônio decidirem atacá-los. O protagonista do game é só mais um ninja entre tantos, mas que possui um forte desejo de sair da ilha e conhecer o mundo. Para nosso herói, todo esse lance de profecias e demônios não passa de besteira, por isso ele é considerado o revoltado e o “diferentão” da turma.

Um dia o que uma lendária profecia previa acontece. A ilha é atacada pelo Rei Demônio que extermina quase todos os seus habitantes. Nosso protagonista tenta enfrentar o vilão, mas, felizmente, o lendário herói citado na profecia aparece, expulsa o Rei Demônio e entrega para o protagonista um misterioso pergaminho que deve ser entregue no pico mais alto da montanha mais alta. Só assim o mundo poderá ser mantido a salvo das forças do submundo. Por isso o título do game é “O Mensageiro”. Entendeu?

Durante a aventura, o protagonista, que não possui nome, se encontra de tempos em tempos (checkpoint) com um misterioso, filosófico e bem humorado lojista. Ele pode aconselhar nosso protagonista, dar presentes, contar histórias e vender melhorias para suas habilidades mediante cacos de tempo, que são coletados durante a aventura. A loja fica em algum lugar no tempo e no espaço, de modo que o lojista está em todas as fases do game.

Os diálogos com o vendedor temporal são bem humorados e repleto de clichês e referências ao passado. Tem até um tal de “João Gaiden” citado por ele. Quando perguntando quem seria , o lojista responde bem humorado que é apenas um crédito que ele deveria dar.

Uma outra criatura que vai ajudar o mensageiro em sua aventura é o Sofismuto. Trata-se de uma criatura mágica que aparece todas as vezes que o mensagerio morre. Sofismuto faz com que nosso herói reapareça vivo no último checkpoint, mas essa ressurreição tem um custo. Depois de ressuscitar nosso herói, Sofismuto irá acompanhá-lo comendo cacos de tempo para quitar a dívida.

Jogabilidade

A jogabilidade é muito simples. No início do game, nosso herói possui apenas uma ma espada e as habilidades de escalar paredes e dar um pulo duplo mediante a batida em algum alvo após um outro pulo. Depois, são adicionadas novas habilidades, presenteadas ou vendidas pelo lojista, tais como shurikens, corda com garras, capa planadora, entre outras.

A capa planadora e a corda com garras são os itens que mais dão charme ao game play. A primeira permite que o jogador consiga planar após um pulo e, principalmente, ser elevado mediante correntes de ar que sem do chão. Já a segunda faz com que nosso herói consiga atacar alvos a media distância, além de alcançar paredes e pontos de apoio para pular abismos.

Desafio

Apesar de ter uma jogabilidade simples, o game engana o jogador. The Messenger começa muito fácil, mas depois vai aumentando o nível de dificuldade até incorporar puzzles, dificuldades e desafios que remetem aos clássicos Ninja Gaiden, Shinobi, Castlevania, Contra e outros games quase impossíveis de serem terminados.

Por diversos momentos a paciência e a determinação do jogador será testada com desafios extremos que vão desde acertar o tempo certo de pulos duplos e batidas para alcançar uma parede ou plataforma  do outro lado da tela, até compreender os padrões de ataque dos chefes de cada fase. Não se engane, você vai morrer muito. Muito mesmo!

Gráficos e Level Design

Inicialmente, o game começa com gráficos de 8 bits, uma justa homenagem aos games retrô do gênero. Depois de um tempo e também uma reviravolta no roteiro, nosso herói é enviado ao futuro, assim, os gráficos tem um considerável salto de qualidade, passando para o sistema de 16 bits. Os cenários remetem aos clássicos, como plataformas que desabam, criaturas estranhas e movimentos discretos.

Depois da transição de 8 para 16 bits, o game deixa de ser linear, ou seja, a partir de agora, o clássico sistema de progressão de fases  existe mais, e o game adota o gênero metroidvânia. Assim, o mensageiro pode visitar livremente as fases do passado e do futuro com o objetivo de explorar novas áreas e encontrar novos itens. O destaque aqui é a possibilidade de tocar em alguns portais que fazem uma transição instantânea entre passado (8bits) e futuro (16 bits). Veja no GIF abaixo:

Efeitos e trilha sonora

Apesar de cativante, a trilha sonora não chega a ser encantadora. Pelo menos não no nível das memoráveis trilhas de Ninja Gaiden II e Shinobi II e III. Entretanto, ela tem seus méritos, ainda mais por que, assim como no level design, há uma gritante diferença na qualidade sonora na transição de 8 para 16 bits. Já os efeitos sonoros são tão nostálgicos que conseguem ativar as memórias mais profundas de todo gamer das antigas.

Controles

Inicialmente era possível controlar o persongem usando as teclas W, A, S, D. A tecla CTRL ataca; SHIFT lança shurikens; ESPAÇO pula e ALT lança a corda com garras. Quem quisesse fazer um remapping das teclas precisava instalar um software como o GloverPIE. Felizmente, no dia 20/11/2018, foi lançado um patch de atualização (v1.0.4) que incluiu o recurso nativo de remapping de teclas.

Conclusão

The Messenger é um game fantástico em vários aspectos. A simplicidade e o desafio são dois dos grandes atributos do game. Além do mais, o jogador é inserido em um universo nostálgico repleto de referências aos clássicos do passado com uma dosagem certa de bom humor. Por diversas vezes somos lembrados que para um game ser bom ele não precisa necessariamente ter gráficos fantásticos. Ele precisa ser divertido e oferecer um bom desafio.

A dificuldade progressiva prepara o jogador para desafios cada vez maiores. Entretanto, a progressão da história e do próprio personagem deixa um pouco a desejar. Por diveras vezes, a carga de humor supera o ideal, frustrando os jogadores mais exigentes que esperam por uma trama mais complexa.

A junção entre 8 e 16 bits e a transformação de um game linear para um metroidvania  no meio da aventura é algo único e surpreendente, que dá uma nova carga de motivação ao jogador. É impossível parar de jogar!

Enfim, The Messenger é um título obrigatório a todos os aficcionados por games retrô. Recomendo!

Vídeos

Confira no vídeo abaixo o trailer de lançamento para Nintendo Switch.

The Messenger ganhou trailer em live action no lançamento, veja o vídeo abaixo:

No vídeo abaixo, os criadores de Ninja Gaiden, Hideo Yoshizawa e Keiji Yamagishi, jogam The Messenger:

About Jorge Luís Gregório

Professor e entusiasta de tecnologia, estudioso da cultura NERD e fã de quadrinhos, animes e games. Mais um pai de menino, casado com a mulher mais linda da galáxia e cristão convicto. Gosto de ler ficção científica e discutir tecnologia, filmes, seriados, teologia, filosofia e política. Quer falar sobre esses e diversos outros assuntos? Venha comigo!

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