Homo Deus: uma breve história do amanhã (Resenha)

As visões futuristas sempre fizeram parte do imaginário e, principalmente, da ciência humana. Se olharmos para os grandes cientistas do passado e também para os escritores, encontraremos ideias até então absurdas, mas que hoje fazem parte do nosso cotidiano. Julio Verne, autor de clássicos da ficção como Viagem ao centro da Terra, A volta ao mundo em 80 dias e Vinte mil léguas submarinas, disse uma vez “O que um homem pode imaginar, outros poderão realizar”. No contexto atual, nunca Verne esteve mais certo, visto que que aeronaves, submarinos, rádio, televisão, internet, web, Inteligência Artificial, robôs, entre outras mavilhas tecnológicas, todas foram imaginadas antes de serem criadas.

Seguindo as visões futuristas de grandes pensadores e, principalmente, considerando nosso contexto tecnológico atual, o professor israelense Yuval Noah Harari, conhecido pela obra Sapiens: uma breve história da humanidade, nos traz Homo Deus: uma breve história do amanhã. Trata-se de uma obra extremamente rica sob os pontos de vista intelectual, científico e futurista, pois o autor faz um “mix” de história, ciência e religião para fazer ilações sobre o futuro da humanidade.

Harari começa o livro trazendo um “estado da arte” global em que são apresentados diversos aspectos do atual momento da civilização. O autor trata o capitalismo como a mais bem sucedida religião, ao mesmo tempo que decreta a “morte” de Deus em suas visões extremamente materialistas e cientificistas.

Para Harari, a humanidade está caminhando para um futuro em que as pessoas serão aprimoradas genética e tecnologicamente, tendo suas expectativa e qualidade de vida melhoradas significativamente, fazendo um paralelo com o clássico Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Trocando em muídos, estamos indo para uma era em que seremos “deuses”.

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O autor também destaca a criação das novas entidades inteligentes, os robôs. Segundo Harari, o desacoplamento entre inteligência e consciência deverá causar sérias transformações no capitalismo, trazendo uma série de vantagens e problemas que os governos sequer imaginam que terão de enfrentar. Isso sem falar das questões éticas e morais envolvidas.

Harari finaliza a obra tratando da “religião dos dados” e de como os algoritmos (sem consciência) influenciam o destino da humanidade. Enfim, é uma obra inteligente, intrigante e instigante. Apesar da sua visão de mundo pautada pelo ateísmo, o autor traz informações relevantes no contexto tecnológico atual e futuro. Vale a pena a leitura!

About Jorge Luís Gregório

Professor e entusiasta de tecnologia, estudioso da cultura NERD e fã de quadrinhos, animes e games. Mais um pai de menino, casado com a mulher mais linda da galáxia e cristão convicto. Gosto de ler ficção científica e discutir tecnologia, filmes, seriados, teologia, filosofia e política. Quer falar sobre esses e diversos outros assuntos? Venha comigo!

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