Loja de rua também pode vender pela internet
Mercado atual exige vender pela internet
Quem tem loja física já percebeu que o perfil de consumo do cliente mudou. Antes de sair de casa, ele pesquisa preços pelo celular, usa ferramentas de comparação e pergunta em grupo de WhatsApp se algum amigo já possui aquele produto.
Para o lojista, o recado é claro: estar na internet deixou de ser luxo e passou a ser uma questão de sobrevivência. Quem deseja vender pela internet, com consistência, amplia o alcance, reduz dependência da loja física e captura clientes que compram online.
Os números mostram o tamanho da mudança. Segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom, antiga ABComm), as vendas pela internet no Brasil somaram R$ 235,5 bilhões em 2025, uma alta de 15,3% em relação ao ano anterior. Foram quase 439 milhões de pedidos, feitos por 94,2 milhões de pessoas. Para 2026, a entidade espera finalizar o ano com uma movimentação de cerca de R$ 259,8 bilhões.
Outro levantamento, a Radiografia do Comércio Eletrônico da FecomercioSP, usou outra metodologia e chegou a um número ainda maior: R$ 295,6 bilhões em 2025, recorde histórico. Em 2016, eram R$ 55,9 bilhões. Sim, em apenas dez anos, o comércio on-line cresceu mais de cinco vezes.
E, de fato, não se trata de um fenômeno só das grandes empresas. De acordo com a mesma reportagem sobre os dados da Abiacom, um levantamento da empresa de entregas Loggi mostrou que as pequenas e médias empresas cresceram 77% no comércio eletrônico em 2025.
Isso significa que a loja física está com os dias contados? Claro que não! A própria FecomercioSP calcula que as vendas on-line equivalem a apenas 6,5% do faturamento do varejo físico. A maior parte do dinheiro ainda passa pelo balcão. Uma pesquisa da Futura Inteligência, divulgada em 2025, apontou que 94,8% dos brasileiros compram em lojas físicas, enquanto 62,6% compram pela internet. Ademais, parte considerável do faturamento de muitas lojas físicas pequenas já vem do comércio eletrônico.
O segredo está no comportamento de quem compra. Muitos consumidores transitam entre os dois canais. A pesquisa Fiserv Insights 2026, feita em parceria com a Opinion Box, mostra que 30% dos brasileiros combinam loja física e internet na mesma compra, enquanto apenas 17% preferem fazer tudo pessoalmente.
Nesse contexto, muitos empresários já adotam modelos híbridos, criando experiências de compra para os clientes. Eles apresentam produtos, tiram dúvidas e realizam reservas pelo WhatsApp, ao mesmo tempo em que utilizam o canal digital para despertar o interesse do consumidor em visitar a loja física.
A boa notícia é que digitalizar uma loja não exige grande investimento. Pode ser gratuito o primeiro passo: cadastrar o estabelecimento no Google para aparecer nas buscas e no mapa. Também vale usar Instagram e WhatsApp Business para apresentar um catálogo de produtos.
Assim, o cliente do bairro ou da cidade já consegue ver o que há na prateleira e encomendar por mensagem. Isso facilita vender pela internet.
Depois, o lojista pode testar as grandes plataformas de vendas, como Mercado Livre, Shopee e Amazon, que já têm milhões de visitantes. É necessário, porém, fazer as contas das taxas e comissões. Outra opção é criar uma loja virtual própria em plataformas prontas, que não exigem conhecimento de programação.
O ponto físico pode virar um diferencial. O cliente compra pelo celular e retira no mesmo dia e, se não gostar, pode trocar o produto sem burocracia. São facilidades que os grandes concorrentes têm dificuldade de oferecer em cada bairro. No fim, o cliente quer a conveniência da internet e a confiança do atendimento presencial. O comerciante que oferece as duas opções amplia seu alcance sem perder o que sempre fez de melhor.
Começar pequeno, observar os resultados e ajustar o caminho é a forma mais segura de dar esse passo. Arriscado mesmo é continuar única e exclusivamente no mundo físico.
Artigo publicado originalmente na coluna Fatecnologia, do Jornal “A Tribuna”, no dia 11/10/2026